EL BRASIL DE LULA VOLVERA A SER EXPORTADOR DE ARMAS

OBSERVATÓRIO CONE SUL DE DEFESA E FORÇAS ARMADAS

INFORME BRASIL N° 060 Período: de 23/11/02 a 28/11/02

Franca – Brasil


Tríplice Fronteira ainda é alvo de suspeitas norte-americanas

A Tríplice Fronteira, região limítrofe entre Brasil, Argentina e Paraguai, volta a ser alvo de especulações dos Estados Unidos. O subsecretário de Estado norte-americano para a América Latina, Otto Reich, afirmou que existem grupos terroristas islâmicos atuando na região. Reich afirmou que a informação não era uma surpresa. A fronteira, segundo ele, é uma área de contrabando de armas e lavagem de dinheiro. O presidente americano, George W. Bush, suspeita também que o local abriga radicais islâmicos. (Correio Braziliense – Mundo - 23/11/02)

Fuzileiro naval é preso por vender armas a traficantes

O fuzileiro naval Ricardo de Souza Barros foi preso nesta última semana por vender armas a traficantes. Ele recebia em média R$ 1,5 mil por cada fuzil. Foram encontrados com ele: dois fuzis da Marinha, uma pistola calibre 7,65 e um revólver calibre 38. O 1º Distrito Naval da Marinha abriu investigação interna para saber se houve desvio de armamento. Ricardo já estava na Marinha há sete anos e ocupava o cargo de motorista da companhia de transportes do Batalhão Logístico dos Fuzileiros Navais, responsável pela guarda e manuseio das armas de grupo de elite. Além da venda de armas aos traficantes, torna-se cada vez mais comum a busca pelo tráfico de oficiais recém-formados treinados pelas Forças Armadas para trabalhar no comando dos morros por altos salários, situação agravada pelas más condições salariais das Forças Armadas. (Jornal do Brasil - Rio-23/11/02; Jornal do Brasil – Rio -24/11/02)

Força Aérea Brasileira defende compra de avião para a Presidência

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Alberto Baptista, alertou em uma audiência neste dia 26 o coordenador-geral da equipe de transição do Partido dos Trabalhadores (PT), Antônio Palocci, sobre a importância de que seja adquirido um novo avião para a Presidência da República. As viagens intercontinentais do presidente são feitas com aviões da empresa de transporte aéreo privada TAM desde 2000. Naquele ano, o Boeing 707 da Força Aérea Brasileira (FAB) foi colocado de lado depois de uma pane numa viagem em que o vice-presidente Marco Maciel estava a bordo. O comandante da Aeronáutica reclamou da burocracia exigida para a compra de equipamentos. Segundo ele, mesmo que Luiz Inácio Lula da Silva autorize a compra de um avião no início de seu mandato, corre o risco de não voar nele, pois os processos são muito demorados. A principal queixa de Baptista quanto às viagens em avião da TAM refere-se à segurança do presidente, pois os pilotos da empresa são subordinados à companhia e não às Forças Armadas. Atualmente, o presidente Fernando Henrique Cardoso tem dois aviões da FAB para viagens no território nacional e na América Latina. A assessoria do Planalto informa que os Boeings 737 do governo não têm autonomia de vôo para ir para a América do Norte, à África ou à Europa. Além da discussão sobre a compra do avião para a Presidência, o comandante Baptista também falou sobre a situação da Força Aérea Brasileira e expôs os problemas enfrentados pela Arma, em que grande parte das aeronaves estão paradas por falta de manutenção e a dificuldade de compra de equipamentos e aviões pela FAB. Também foi discutido o adiamento do aluguel de caças de Israel pelo atual governo, que não considera essa questão como emergencial. No entanto, a Aeronáutica precisará dos caças porque a compra de aviões para substituir os obsoletos Mirage da FAB está atrasada. (Folha de São Paulo – Dinheiro – 26/11/02; Folha de São Paulo – Brasil – 26/11/02; O Globo – O País – 26/11/02; Jornal do Brasil – Brasil – 27/11/02; Correio Braziliense – Política – 27/11/02)

Coordenador de mobilização social de Lula quer Forças Armadas no combate à fome

O coordenador de mobilização social do Programa Fome Zero do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva, Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, afirmou que pretende utilizar até mesmo a experiência das Forças Armadas para o combate à fome e à miséria. Com isso, Frei Betto acredita evitar desperdício de esforços: "Vamos mobilizar 25 políticas públicas de todos os ministérios, incluindo os comandos das Forças Armadas, para aproveitar os recursos já disponíveis". A idéia de Frei Betto é fazer um levantamento de todos os órgãos, projetos e iniciativas que já existem, aglutinando órgãos governamentais e ONGs que queiram contribuir com experiência e sugestões. (O Estado de S.Paulo – Nacional – 28/11/02)

Coluna comenta "resquícios da Guerra Fria" na mentalidade militar

Em sua coluna, Ricardo Boechat comenta a difícil mudança de mentalidade dos militares brasileiros, segundo ele imunes à nova fase da democracia brasileira, representada pela vitória eleitoral do PT, apontando a lembrança da Intentona Comunista no site do Exército neste dia 27 (quarta-feira), onde figurava a seguinte frase: "As ações desencadeadas pela minoria equivocada deixaram seqüelas de difícil cicatrização". (Ricardo Boechat – Jornal do Brasil - Colunas – 28/11/02)

Governo brasileiro vai promover a indústria bélica do País

O governo brasileiro quer recuperar a boa posição da indústria bélica brasileira no portfólio das exportações de produtos nacionais manufaturados. Depois da década de 80, quando alcançou cifras na casa de US$ 1,5 bilhão, o setor desempenhou um papel secundário na pauta das exportações. Mas uma mudança de atitude pode estar a caminho: nesta terça-feira (26) aconteceu em Brasília o seminário "Ciência, Tecnologia e Inovação", destinado a integrar, por meio do Ministério da Defesa e da Ciência e Tecnologia, o conhecimento avançado do país com provável emprego de sistemas de uso militar. A idéia é que diplomatas, em especial os adidos militares, promovam os produtos brasileiros. Situação semelhante aconteceu quando Paulo de Tarso Flecha de Lima chefiava o Departamento da Promoção Comercial do Itamaraty. (O Estado de S.Paulo – Nacional – 28/11/02)

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