OBSERVATÓRIO CONE SUL DE DEFESA E FORÇAS ARMADAS

Franca – Brasil


1-Chefe de combate ao terrorismo dos EUA vai à Tríplice Fronteira

O coordenador de combate ao terrorismo do Departamento de Estado norte-americano, Cofer Black, visitará a região da Tríplice Fronteira, compartilhada por Argentina, Brasil e Paraguai, apontada como refúgio de militantes radicais islâmicos, segundo o pronunciamento do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. A visita acontecerá na próxima semana durante a reunião do chamado Comando Tripartido da Tríplice Fronteira, um mecanismo criado em 1998 e que reúne órgãos dos três países responsáveis pela segurança pública nessa região, acrescentou o ministério em comunicado. A região da Tríplice Fronteira é objeto de suspeita por abrigar militantes, especialmente do Hizbollah (grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano), ou de pelo menos oferecer refúgio e financiamento a grupos radicais. A área tem uma ampla comunidade árabe e é conhecida por ser uma zona de contrabando de armas e drogas, além de facilitar a lavagem de dinheiro.O governo argentino disse recentemente que teria dados que indicavam a possibilidade de um aumento da atividade terrorista na região. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos, as autoridades brasileiras, argentinas e paraguaias têm aumentado a vigilância sobre a região.O objetivo do Comando Tripartido é controlar as atividades criminais na região, incluindo as que possam estar relacionadas com o terrorismo e seu financiamento. A chancelaria brasileira disse que a presença de Black na região, marcada para 18 de dezembro, servirá "para conhecer a realidade no local" da Tríplice Fronteira.Também acrescentou que a vista seria para "fortalecer a cooperação (...) para o aumento do intercâmbio de informações e de experiências no que se refere ao combate da delinqüência internacional e atividades potencialmente associadas ao terrorismo". A visita à Tríplice Fronteira por parte de Black, será precedida, no dia 17 de novembro, por uma reunião entre representantes dos Estados Unidos, Paraguai, Brasil e Argentina, em Buenos Aires, na qual serão trocadas informações sobre a problemática da área, acrescentou a chancelaria do Brasil.Nessa reunião serão analisadas as possíveis "vulnerabilidades da área", como o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, financiamento de atividades potencialmente atribuídas ao terrorismo, tráfico de armas e controle aduaneiro e de imigração, acrescentou o ministério. O serviço de inteligência da Polícia Federal (PF) brasileira está investigando atividades do empresário saudita Khalil bin Laden, um dos 53 irmãos de Osama Bin Laden, suspeito dos ataques de 11 de setembro. Em outubro passado, um malote proveniente de Jedá, na Arábia Saudita, despertou a atenção das autoridades do aeroporto de Confins, em Belo Horizonte (Estado de Minas Gerais), pelo sobrenome do remetente. O pacote continha documentos, escritos em árabe, inglês e português, relacionados aos negócios de Khalil bin Laden. Após recuperar todo o conteúdo do malote, no último dia 31, o empresário voltou para a Arábia Saudita, onde ocupa o cargo simbólico de cônsul honorário do Brasil. A PF guardou cópias de todos os documentos do malote e recusou-se a comentar o caso, embora tenha reconhecido que as atividades de Khalil estejam sendo investigadas; na Receita Federal, o assunto também é tratado sem maiores detalhes, sob alegação de sigilo fiscal. (Folha de S. Paulo – Brasil - 10/12/2002; Correio Braziliense – Mundo – 12/12/02)

2-EUA agem na fronteira da Argentina com Brasil

O presidente da Argentina, Eduardo Duhalde, assinou projeto de lei que autoriza a entrada de tropas especiais dos Estados Unidos na província de Misiones, fronteira com o Brasil. A justificativa é capacitar a polícia fronteiriça argentina, um trabalho que será feito pelos Boinas Verdes do Comando Sul do Exército americano. O projeto permite aos militares americanos entrarem na província de Salta a partir de 15 de outubro. Como o presidente só assinou o projeto de lei em 2 de dezembro, os militares já estiveram na província sem a autorização formal do governo. O Congresso só recebeu o texto um mês e meio após as tropas desembarcarem no território argentino. A proposta partiu do exército americano, em junho, e previa duas manobras: uma em outubro de 2002, já realizada em Salta, e outra em abril de 2003, em Misiones. Os deputados de oposição denunciam essas "capacitações" como desculpa para atualizar, tecnologicamente, equipamentos militares para que os EUA possam vigiar melhor o Brasil. O Ministério da Defesa evitou comentar ontem os exercícios militares na fronteira. As Forças Armadas brasileiras não participam do treinamento. Segundo a assessoria de imprensa, o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, estava ontem em Buenos Aires – para assinar acordo para coibir vôos clandestinos entre os países, e não para tratar das capacitações. O Itamaraty também não quis comentar assunto. Segundo fontes da diplomacia, não é a primeira vez que esses treinamentos acontecem em áreas próximas da divisa com o País. Em nenhuma ocasião a permissão concedida pelo governo argentino gerou atrito com o Brasil. O governo brasileiro sempre é convidado a participar dos exercícios, mas não aceita. (O Estado de S. Paulo – Nacional -10/12/2002)

3-Militares apóiam nome de Rebelo para Defesa

O deputado Aldo Rebelo do Partido Comunista do Brasil (Pc do B), continua tendo a maior simpatia das Forças Armadas e permanece com grandes chances de ocupar o Ministério da Defesa. Depois do almoço entre o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, no sábado, em São Paulo, perdeu força a indicação do embaixador do Brasil na Rússia, José Viegas, que participou do evento. Os militares, que já haviam manifestado sua preferência por políticos, agora concentram a sua torcida sobre Rebelo, já que o nome do deputado José Genoino foi descartado. Após o almoço, houve um encontro reservado entre Lula e os comandantes - general Gleuber Vieira (Exército), almirante Sérgio Chagastelles (Marinha) e brigadeiro Carlos de Almeida Baptista (Aeronáutica). Ao falarem das dificuldades, os militares aproveitaram para comentar que o maior apoio que receberam nos últimos anos no Congresso foi justamente dos parlamentares de esquerda. Falaram também da importância da atuação da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional na Câmara, que é presidida por Rebelo. Apesar de poder parecer um contra-senso, os militares têm comentado que preferem um político de esquerda, como Aldo, a um diplomata, porque ele conhece a realidade das Forças. (O Estado de S. Paulo – Nacional - 09/12/02)

4-Militar é preso transportando cocaína

O primeiro-sargento da Aeronáutica Ely dos Santos, de 39 anos, foi preso com 2 quilos de cocaína no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos (região metropolitana de São Paulo). Ely afirmou aos policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) que estava a serviço da máfia nigeriana e ganharia US$ 7 mil para levar a droga até Madri, na Espanha. Lotado no Centro Técnico Aeroespacial (CTA) da Aeronáutica, em São José dos Campos (interior do Estado de São Paulo), o sargento tirou cinco dias de folga para viajar. Os policiais do Denarc já tinham a informação sobre o militar, esperaram o primeiro-sargento se apresentar no balcão da companhia de aviação Ibéria e o prenderam. Santos levava amarrados ao corpo dez pequenos pacotes com cocaína. O sargento disse aos policiais que era a primeira vez que servia de "mula" (transportador de drogas) para a máfia nigeriana. (O Estado de S.Paulo – Cidades – 13/10/01)

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