PERU, COLOMBIA Y BRASIL EN EJERCICIOS ANTIGUERRILLA.

Exército integrará força especial que investigará morte de subtenente.

O assassinato do subtenente do Exército Alcir José Tomasi, de 44 anos, será investigado por uma força especial criada no dia 20. A força será integrada pelas Polícias do Exército, Federal e Civil. O militar foi morto quando fazia a segurança do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Sandro Luiz. O delegado Nelson Guimarães, diretor do Departamento de Polícia da Macro São Paulo (Demacro) afirmou crer que o objetivo dos assassinos era roubar o carro em que Tomasi estava e informou que as investigações estão centralizadas nos ladrões de carro que atuam na cidade de Santo André. A morte do tenente provocou a reabertura de uma discussão antiga entre a Polícia Federal (PF) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) sobre a competência da segurança pessoal do presidente da República e de sua família, bem como do vice-presidente e dos dirigentes de todos os Poderes, que atualmente é realizada pelo Exército. O policiais federais alegam que o Exército não está preparado para enfrentar situações de perigo no dia-a-dia porque seu treinamento é para combater em guerra e proteger fronteiras.

O delegado federal Armando Rodrigues Coelho, presidente da Federação Nacional dos Delegados da Polícia Federal, comparou a situação da escolta pessoal com o emprego das Forças Armadas no combate à criminalidade nas ruas e afirmou que os homens do Exército não sabem como os bandidos agem. Os oficiais da GSI não quiseram se pronunciar sobre as reclamações. O governo debe enviar em breve um projeto que cria a Lei Orgânica da Polícia Federal e poderá transferir responsabilidade pela segurança de membros do governo à PF. De acordo com Coelho, a proteção e a escolta do presidente da República eram realizadas pela PF desde 1973 até 1999, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso emitiu uma medida provisória entregando o dever para o Exército. (O Estado de S. Paulo – Cidades – 21/06/03; O Estado de S. Paulo – Cidades – 22/06/03)

Forças Armadas do Brasil, Colômbia e Peru participam de ações contra guerrilheiros na fronteira com Colômbia e Peru Neste dia 27 o Ministério da Defesa encerra o exercício militar combinado entre as Forças Armadas do Brasil, Colômbia e Peru na região amazônica, denominada "Operação Timbó", que teve como objetivo treinar os militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica no planejamento e execução de operações combinadas na Amazônia. O outro propósito do exercício é coibir as ações de narcotraficantes, grupos guerrilheiros, crimes ambientais e aqueles ocorridos junto às comunidades indígenas, com o auxílio do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam). A área da Operação Timbó é demarcada pelos municípios de Japurá (Amazonas) e Santa Rosa dos Purus (Acre) e comporta 4.600 quilômetros de fronteira. O Brasil e a Colômbia também assinaram no último dia 20 um acordo para combater o narcotráfico e o terrorismo. O documento foi assinado pela ministra da Defesa da Colômbia, Marta Lucia Ramirez, e pelo ministro da Defesa brasileiro, José Viegas Filho (ver mais neste Informe Brasil). A fronteira entre Brasil e Colômbia conta com 1.645 quilômetros de selva, onde foram encontrados laboratórios de processamento de drogas, pistas clandestinas para aterrissagem e grupos guerrilheiros.

A operação foi orçada em R$ 10 milhões, participando ao todo 4.105 militares.

Segundo a Folha de S. Paulo, a operação não conseguiu banir o tráfico de drogas, já que até o penúltimo dia de operação (26), não havia sido registradas prisões de traficantes ou guerrilheiros. Segundo o Comando Militar que atuou na operação, isto foi conseqüência do desvio de área de atuação dos traficantes. O Jornal do Brasil afirmou ainda, em seu editorial, que o Brasil deve adequar a organização e treinamento das Forças Armadas proporcionalmente à crescente importância geopolítica do País. (Folha de S. Paulo – Brasil – 21/06/03; Folha de S. Paulo – Brasil - 27/06/03; O Estado de S. Paulo – Cidades – 21/06/03; Jornal do Brasil – Editorial – 24/06/03; O Estado de S. Paulo – Nacional – 26/06/03)

Secretário de Segurança do Rio de Janeiro diz que ataque a Batalhão foi causado por falta de refeições.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, declarou que o ataque ao 3o Batalhão de Infantaria do Exército, ocorrido no dia 18 de julho, foi motivado pela ausência da tropa, que teria ido jantar fora, uma vez que o Exército não fornecia refeições. O secretário disse ter recebido a informação de um oficial do Batalhão, que foi negada pelo Exército por meio de nota oficial do Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomsex). A nota explicitou que tal declaração por parte de Garotinho era "totalmente desprovida de fundamento", pois a guarnição não sofria de falta de suprimentos e nem sequer era autorizada a abandonar o posto para refeições fora do Batalhão. Este sofreu ataques de um grupo armado entre as 18h30 de terça-feira e 5 horas de quarta-feira, de acordo com nota do Cecomsex. Os militares solicitaram a ajuda da Polícia Militar para reforçar a segurança do quartel. (O Estado de S. Paulo – Cidades – 21/06/03; Jornal do Brasil – Rio – 24/06/03)

Explosão de granada do Exército deixa 6 feridos no Rio

A explosão de uma granada de morteiro antitanque de uso exclusivo das Forças Armadas, neste dia 24, deixou seis pessoas feridas em Anchieta, na zona norte do Rio de Janeiro. Uma das vítimas teve a mão direita decepada e outra, o olho esquerdo perfurado. Nenhum dos feridos corre risco de morte.

Suspeita-se que as vítimas, catadores de ferro-velho, tenham invadido o Campo de Instrução do Exército em Gericinó. Segundo a polícia, as vítimas encontraram cinco granadas-morteiro e tentaram abrir uma delas usando uma serra e um martelo, o que causou a explosão. A polícia achou no local quatro granadas intactas e outras três desmontadas, além de apreender duas fardas do Exército e cápsulas deflagradas de balas de fuzil. Segundo o Esquadrão Antibomba, o grupo detonou apenas a carga de propulsão da granada, que tem forma de ogiva e é responsável pela impulsão do explosivo. O restante do material ficou intacto. (O Estado de S. Paulo – Cidades – 25/06/03; Folha de S. Paulo – Cotidiano – 25/06/03; O Globo – Rio – 25/06/03)

Governo analisa proposta de inclusão social por meio da ampliação do recrutamento no serviço militar.

Segundo coluna de O Globo, um grande e barato programa social para os jovens entre 18 e 24 anos poderia ser feito com a simples ampliação do recrutamento para o serviço militar, pois o desemprego nesta faixa de idade é quase o dobro da média nacional e a ela pertence a maioria das vítimas de homicídios. Esta proposta foi apresentada, numa conversa informal, pelo deputado Miguel Arraes, presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta agradou ao presidente, que já começou a tratá-la com o ministro da Defesa, José Viegas. Na prática, o maior aproveitamento dos alistados para o serviço militar complementaria, a custos mais baixos, um programa como o "Primeiro Emprego", destinado à mesma faixa etária, ou até mesmo o programa "Fome Zero", à medida que os oriundos de famílias pobres passam a ter alimentação nos quartéis. O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) aponta as muitas virtudes - econômicas, sociais e gerenciais - do uso social do recrutamento: os jovens estariam incorporando

valores importantes de cidadania, além de receberem fardamento, alimentação, cursos profissionalizantes e um pequeno soldo. Além disso, estariam menos vulneráveis ao aliciamento pelo narcotráfico, como também poderiam optar por seguirem a carreira militar. A montagem de tal "programa", por outro lado, dispensaria a organização de qualquer estrutura burocrática, já composta pelas unidades militares espalhadas por todo o Brasil. O efetivo de cada força é fixado por um decreto presidencial, mas os comandantes vêm trabalhando com número ligeiramente inferior para evitar problemas orçamentários. Segundo levantamento obtido por fontes militares, o

Exército dispõe de 663 unidades, a Aeronáutica de 206 e a Marinha de 400 unidades.

O gerenciamento, da mesma forma, seria feito pela própria hierarquia militar, que poderia aumentar o número de encarregados do serviço militar. Por fim, talvez fosse possível, com o aumento do número de recrutas, melhorar a vigilância sobre as fronteiras, por onde a droga e as armas ilegais têm entrado tão facilmente no Brasil. (O Globo – Primeiro Caderno – 25/06/03) Coluna sugere cautela no ingresso do Brasil no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU)

De acordo com a coluna "Opinião" do jornal Correio Braziliense, o Brasil tem o direito a pleitear um assento permanente no Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas (ONU), pois o País mantém forte presença no cenário mundial e possui peso geopolítico, embora sem pretensões de obter poder de veto, já que os membros são refratários à idéia de compartilhar tal privilégio.

Para demonstrar isso, o presidente americano George W. Bush não encorajou a pretensão brasileira e muito menos assumiu compromisso com ela em encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, de acordo com o periódico, antes de se criar um "cavalo de batalha" em torno da questão, é importante avaliar os prós e contras da participação do Brasil no Conselho

de Segurança. Para o Correio, alguns exemplos recomendam tal cautela, por alguns países já terem "pagado caro" ao assumir posições antagônicas às dos Estados Unidos, como por exemplo, o voto do Chile contra a Guerra do Iraque que quase fez ruir o acordo bilateral com os EUA. Portanto, conclui o jornal, a recomendação é de que o Brasil meça as conseqüências do assento permanente, pois ganhará status, mas ficará mais exposto. (Correio Braziliense - Opinião – 25/06/03)

Exército defende lei mais rígida para combater o crime organizado.

O comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, disse no último dia 25 que é preciso estabelecer leis mais rígidas para combater o crime organizado. Durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Albuquerque também afirmou que um serviço de inteligência bem conduzido seria importante no combate ao crime.

O comandante Albuquerque discorreu por cerca de uma hora sobre o trabalho realizado pelo Exército, ressaltando que atualmente a Amazônia é prioridade, pois cerca de 11,4% dos soldados do Exército estão na região.

Aproveitando a ocasião, o general também falou sobre recursos, salientando que o Exército precisa de R$ 3,65 bilhões este ano, porém a Lei Orçamentária prevê R$ 1,27 bilhão, com crédito autorizado de apenas R$ 968 milhões. (Jornal do Brasil – Brasil – 26/06/03)

Brasil e Colômbia formalizam sua união contra o tráfico de drogas e o terrorismo.

Brasil e Colômbia têm empreendido esforços na construção de uma relação cooperativa contra o tráfico e a guerrilha, conforme noticiou o Correio Braziliense. Exemplo disto está na assinatura pelos dois países de um Memorando de Entendimento que ocorreu na semana passada. Segundo os ministros da Defesa dos respectivos países, José Viegas Filho e Martha Ramírez, há que se criar canais de comunicação permanentes para favorecer o intercâmbio de informações e a atuação conjunta dos setores de inteligência.

Nesta sexta-feira (27), Viegas recebeu Martha, juntamente com os comandantes da Aeronáutica da Colômbia que atuaram em operação conjunta no Estado do Amazonas. De acordo com os ministros, os delitos transnacionais ameaçam a paz e a estabilidade regionais e aí reside a importância do acordo firmado.

O memorando contempla o treinamento de militares brasileiros nas escolas das Forças Armadas da Colômbia e vice-versa; é da vontade dos países que haja também um intercâmbio na indústria da Defesa, já que os colombianos são grandes importadores de munição brasileira; para tanto, o Brasil deverá fortalecer sua indústria nacional. De acordo com o Correio, o governo brasileiro está disposto a ajudar a Colômbia, pensando também, em seu próprio benefício. Apesar de convergências, no entanto, o presidente brasileiro não concorda com a idéia de que as questões de tráfico e guerrilha sejam tratadas dentro do mesmo leque de problemas, pois, segundo ele, são questões que merecem soluções diferentes. Além do memorando assinado no dia 28 de julho último, o chanceler Celso Amorim viajará a Bogotá para negociar a criação de um Grupo de Trabalho Binacional, junto com representantes do Ministério das Relações Exteriores, da Defesa e da Justiça de ambos os países. A criação deste grupo consolidará a atuação conjunta dos países contra o tráfico, o terrorismo e o crime organizado. (Correio Braziliense – Mundo -27/06/03)

 

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