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INFORME BRASIL Período: 06/08/05 a 12/08/05
Agosto 2005
Por Observatório cone sul de defesa e forças armadas
1 – Presidente Lula decide sobre reajuste do soldo
militar
2 - China confirma veto à reforma do Conselho de Segurança proposta por G4 e
Annan estende o prazo desta
3 - Política do governo militar durante a ditadura torna parte do Pantanal
estéril
4 - Brasil tem planos de exportar urânio enriquecido
5 - José Alencar também corre risco de sofrer impeachment
Presidente Lula decide sobre reajuste do soldo militar
De acordo com o jornal O Globo, o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da
Silva, reuniu-se com a Junta Orçamentária e com o Ministro da Defesa, José
Alencar, para resolver definitivamente qual seria a porcentagem de reajuste aos
militares. O Globo informou que o aumento seria de 13%, mas o governo ainda não
havia se pronunciado sobre o assunto. Se confirmado, sabe-se que ficaria bem
abaixo do prometido pelo ex-Ministro da Defesa, José Viegas, o qual prometera
23% de reposição. Entretanto, o jornal noticiou que, apesar do reajuste não
alcançar o montante reivindicado pelos militares, o Presidente Lula aceitou
liberar cerca de R$ 40 milhões para as Forças Armadas, que serão utilizados em
tratamentos de saúde. Já os jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e
Jornal do Brasil (JB), informaram que o reajuste será de 23%, divididos em duas
parcelas, sendo uma de 13% em outubro deste ano e a outra de 10% em agosto de
2006. Segundo o JB, o ministro da Defesa, José Alencar, em nota divulgada e
endereçada aos comandantes militares, afirma que o Presidente Lula é sensível à
desvalorização dos salários dos membros das Forças Armadas e, mesmo levando em
conta as dificuldades orçamentárias, determinou o reajuste. Alencar afirma ainda
considerar justas as reivindicações dos militares, acreditando ter sido esta a
melhor solução possível. Os últimos meses foram marcados por protestos
encabeçados pelas mulheres dos militares que cobravam o reajuste de 23%
prometido pelo governo para o primeiro trimestre do ano. A Folha e o Jornal do
Brasil noticiaram a manifestação, no último dia 07, das mulheres da União
Nacional das Esposas dos Militares das Forças Armadas (Unemfa) durante a
cerimônia de troca da bandeira nacional, em frente ao Palácio do Planalto, em
Brasília. Elas protestaram contra a corrupção e pediram um reajuste maior para
os militares.
China confirma veto à reforma do Conselho de Segurança proposta por G4 e Annan
estende o prazo da mesma
O jornal Folha de S. Paulo noticiou a declaração oficial do ministro das
Relações Exteriores da China confirmando que seu país pretende vetar a ampliação
do número de integrantes permanentes no Conselho de Segurança da Organização das
Nações Unidas (ONU), caso a reforma seja colocada em votação. Dessa forma, o
jornal considerou que o plano do Brasil de conseguir um assento permanente no
órgão está cada vez mais improvável. A proposta apresentada pelo G4, formado por
Índia, Alemanha, Japão e Brasil, defende a criação de seis assentos permanentes
- incluindo dois para países da África - e quatro vagas rotativas. Ainda segundo
o jornal, o embaixador chinês na ONU, Wang Guangya, afirmou que a proposta do G4
dividiria os países-membros e que conta com o apoio dos EUA para vetar a
reforma, após encontrar-se com o recém-nomeado embaixador norte-americano na
ONU, John Bolton. Em contrapartida, conforme apresentou o jornal O Globo, o
secretário-geral da ONU, Kofi Annan, adiou de setembro para dezembro deste ano a
data limite para a votação da reforma do Conselho de Segurança e reafirmou a
necessidade de que o fórum mais importante das Nações Unidas seja ampliado para
refletir melhor a geopolítica do mundo atual. A recomendação anterior de Annan
era de que a reforma estivesse pronta para ser assinada na grande reunião de
chefes de Estado em setembro. Esta decisão, segundo o jornal, foi interpretada
como uma resposta aos EUA e à China, que se opõem aos três projetos de resolução
apresentados à Assembléia-Geral e consideram prematuro mudar a estrutura do
Conselho. Alguns diplomatas brasileiros declararam que o adiamento não chega a
favorecer o G-4. Bolton considerou o prazo até dezembro ainda muito curto e
alegou que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmou que não se
deve fixar um prazo para a reforma do Conselho.
Política do governo militar durante a ditadura torna parte do Pantanal
estéril
Segundo a Folha de S. Paulo, a ação humana destruiu o ciclo natural de cheias e
secas em uma parte do Pantanal em Mato Grosso do Sul. Uma área total de 5.000km
quadrados foi transformada em trechos de alagamento permanente, por causa do
assoreamento do rio Taquari. O estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa) observou que esse processo de assoreamento foi acelerado
a partir da década de 1970. Naquele momento, o governo militar havia incentivado
o povoamento nas áreas do planalto do entorno do Pantanal para o desenvolvimento
da agricultura e pecuária.
Brasil tem planos de exportar urânio enriquecido
De acordo com O Globo, Sergio Resende, ministro da Ciência e Tecnologia,
declarou que o Brasil poderá, em 10 anos, ser um exportador de urânio
enriquecido. Para isso, seriam necessárias alterações na Constituição, que
atualmente proíbe a exportação de material nuclear, informou o jornal. O
ministro enfatizou que o Brasil não tem projetos de construir uma bomba atômica
e nem vai exportar material nuclear para países que tenham esse objetivo.
José Alencar também corre risco de sofrer impeachment
De acordo com a Folha de S. Paulo, alguns partidários de oposição ao atual
governo brasileiro e alguns governistas acreditam que o depoimento do
publicitário Duda Mendonça à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que
investiga uma suposta existência de dinheiro não declarado à receita federal,
chamado caixa dois, no Partido Trabalhista (PT) para financiar eleições deste
partido em 2002, foi admissível e agravou a situação do Presidente brasileiro
Luiz Inácio Lula da Silva, membro do PT, envolvendo o vice-presidente e ministro
da Defesa, José Alencar. Segundo o jornal, a direção do Partido da Frente
Liberal (PFL) começou a consultar advogados sobre os procedimentos legais em
caso de impeachment tanto de Lula quanto de Alencar. Conforme declarou o
presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, se Lula sofrer um processo
de impeachment, José Alencar também sofrerá, pois para ele, seria impraticável
não enxergar o envolvimento do vice.
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